O plástico industrial que não tem para onde ir: o gargalo da reciclagem B2B que ninguém está resolvendo

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Elias Assum Sabbag Junior

Elias Assum Sabbag Junior, especialista em embalagens plásticas e empresário da Cartonale, uma das maiores fabricantes de soluções em plástico corrugado da América Latina, conhece bem um problema que raramente aparece nas discussões sobre sustentabilidade industrial: o plástico gerado pelas operações B2B, aquele que circula entre fábricas, distribuidores e centros logísticos, não tem o mesmo destino garantido que o plástico de consumo doméstico. 

Enquanto o debate público sobre reciclagem foca nas embalagens que chegam ao consumidor final, toneladas de material plástico industrial percorrem cadeias inteiras sem que exista uma infraestrutura consolidada para recuperá-lo de forma eficiente. Esse gargalo tem custo econômico e ambiental, e está sendo subestimado.

Quer saber mais? Confira no artigo a seguir!

Por que o plástico industrial é mais difícil de reciclar do que parece?

O plástico industrial apresenta características que complicam a reciclagem convencional. Isso porque ele chega aos pontos de coleta misturado com outros materiais, contaminado por resíduos de produto, em formatos que não se encaixam nas linhas de triagem projetadas para embalagens domésticas. Além disso, ele é gerado em volumes concentrados em poucos pontos, o que exige uma lógica de coleta diferente da que funciona para o consumidor final disperso geograficamente.

Para Elias Assum Sabbag Junior, as operações industriais que geram grandes volumes de plástico descartado têm, em tese, condições melhores para estruturar fluxos de retorno do que o consumidor individual. Tendo em vista que o volume concentrado facilita a logística reversa, e a previsibilidade do fluxo permite contratos estáveis com recicladores. Contudo, o que falta, na maior parte dos casos, é a decisão de estruturar esse fluxo em vez de terceirizar o problema para empresas de coleta de resíduos sem rastreabilidade do destino final.

Elias Assum Sabbag Junior
Elias Assum Sabbag Junior

O papel do fornecedor na solução do problema

O fornecedor de embalagens ocupa uma posição estratégica nesse gargalo. Afinal, ele conhece o material que vende, sabe quais processos de reciclagem são compatíveis e tem condições de estruturar, junto com o cliente, um fluxo de retorno que transforme o resíduo em insumo. Elias Assum Sabbag Junior atua nessa perspectiva na Cartonale, empresa que utiliza material reciclado pós-consumo em sua produção e trabalha com materiais projetados para fechar o ciclo de uso. Inclusive, quando o fornecedor participa ativamente da destinação do material que vende, a cadeia fica mais curta, mais rastreável e economicamente mais viável para todos os envolvidos.

No entendimento do empresário Elias Assum Sabbag Junior, esse modelo exige comprometimento de ambos os lados, visto que o cliente precisa separar e armazenar o material de forma adequada e o fornecedor precisa ter estrutura para receber, classificar e reintroduzir esse material no ciclo produtivo. Dessa forma, quando os dois lados funcionam, o resultado é uma cadeia circular real, com dados verificáveis e impacto ambiental mensurável.

Da destinação ao reaproveitamento: o que ainda precisa ser construído?

O Brasil tem infraestrutura de reciclagem desigualmente distribuída, com concentração nas regiões Sul e Sudeste e lacunas significativas em outras partes do país. Para o plástico industrial B2B, isso significa que parte do material gerado em regiões com infraestrutura menos desenvolvida simplesmente não encontra destino adequado, independentemente da intenção das empresas envolvidas. Na prática, resolver esse gargalo exige investimento em infraestrutura regional de triagem e reprocessamento, algo que está além da capacidade de uma empresa isolada, mas que pode ser acelerado por iniciativas setoriais e por políticas públicas que reconheçam a especificidade do fluxo industrial.

O empresário Elias Assum Sabbag Junior atua em um setor que tem condições de liderar essa construção se os atores relevantes decidirem agir de forma coordenada. O material está disponível, a tecnologia existe e a demanda por insumo reciclado de qualidade é crescente. O que falta é a estrutura que conecta esses três elementos de forma funcional e rastreável.

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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